|
Visita de campo a Kalmikia
A República de Kalmikia fica no sudeste da porção européia da Rússia e noroeste da região do mar Cáspio. Cerca de 321 mil pessoas vivem lá e falam Khalmg-tangeh, uma língua tão difícil de entender quanto de ler e vivem entre estepes, desertos, “eagles flying” e partidas de xadrez.
O xadrez é a paixão da República, que se orgulha de ser destacada internacionalmente, pelos campeonatos organizados, pelos melhores jogadores e por ensinarem xadrez nas escolas, para as crianças. Construíram uma cidade, City Chess, que é imponente, funciona como hotel, mas qualquer cidadão pode comprar uma das casas, que possuem arquitetura interessante, mas estão em mau estado de conservação.
Racionalmente, tentamos entender a metáfora do xadrez e os movimentos das peças como sendo o movimento de integração e desintegração daquela sociedade, sob o ponto de vista ambiental, social e econômico.
Emocionalmente, foi impressionante termos sido recepcionados por crianças vestindo roupas típicas do folclore local, único, apesar da mistura colorida das várias origens, onde predominam os oriundos da Mongólia. Ter sentido a areia no rosto, de um deserto formado pela exaustão do solo, que abasteceu toda a União Soviética de produtos agropecuários. Visitar um templo budista e celebrar a arte do povo nômade com um banquete montado ao ar livre e assistido um espetáculo de música, dança, canto, com a possibilidade de andar de camelo e comer churrasco contemplando o pôr do sol.
Analisando o contexto, todos os fatores sugeriam ao mesmo tempo a integração e desintegração: a forte cultura surgiu como uma reintegração, uma vez que toda a população foi expulsa da região por Stalin e enviados para a Sibéria durante a Segunda Guerra, sendo que em 1771, já haviam sido mandados de volta para a China e massacrados no caminho de volta e insistentemente voltam para a região. A desertificação, que tanto desintegra, fez com que houvesse um planejamento de recuperação das áreas degradadas, através de planos de governo que visam reverter a situação. Todos têm encarado os desafios ambientais (salinização da água, poluição do ar, perda da biodiversidade) como um processo que exige a integração.
Como desintegração, observamos a redução ao acesso a água, o direito de uso da terra após a desintegração das fazendas coletivas, a emigração, a falta de regras claras para a iniciativa privada (saímos de lá sem uma resposta à pergunta: de onde vem o dinheiro que os novos empresários investem em suas empresas?) e a falta de participação da sociedade civil. O conceito de felicidade foi definido por um cidadão de Kalmikia como a possibilidade de receber o salário no dia certo.
Eles estão aprendendo a viver o novo momento, dentro de dois cenários: a possibilidade de se integrarem mais a Federação Russa, ou de obterem independência. Despediram-se de nós sem dizer GOOD BYE, mas dizendo: WE WISH YOU A WHITE ROAD.
|