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Degelo afeta cadeia alimentar na Antártica

O krill, um crustáceo parecido com o camarão que está na base da cadeia alimentar do Oceano Antártico, está desaparecendo. A conclusão é de um estudo internacional coordenado pela British Antarctic Survey (BAS) e publicado quinta-feira (dia 4) pela Revista Nature que aponta que os números de ocorrência desse pequeno crustáceo caíram em cerca de 80% quando comparados com os da década de 70.

A explicação mais provável para o fenômeno é a acentuada redução nas áreas congeladas do oceano polar que vem sendo registrada em conseguencia de um aquecimento de 2,5º C registrado na região ao longo dos últimos 50 anos (cerca de cinco vezes a média do aquecimento global). As áreas oceânicas congeladas funcionam como um berçário para o krill, que se alimenta principalmente das algas encontradas sob a camada de gelo. “É a primeira vez que compreendemos o verdadeira escala desse declínio. Ainda não entendemos totalmente como a diminuição da área congelada está conectada ao aquecimento, mas acreditamos que ela esteja por trás do desaparecimento do krill”, comenta o Dr. Angus Atkinson, autor da pesquisa.

Especulações sobre uma possível diminuição nos estoques de krill, baseadas em levantamentos menos completos precederam, este estudo. Foram quatro anos de pesquisas envolvendo nove países, ao todo os dados colhidos em 40 verões antárticos foram comparados para gerar o primeiro panorama em larga escala das mudanças ocorridas no Oceano Antártico no período entre 1926 e 2003.

A redução da presença do crustáceo nas águas geladas da Antártica significa compromete não apenas a cadeia alimentar que sustenta grande parte do ecossistema antártico – diversas espécies de peixe, além de focas, pingüins e baleias serão diretamente afetadas – como também parte significativa da reservas alimentares mundiais.

05 de Novembro, 2004
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