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A indústria e as cidades insustentáveis

A sustentabilidade tão esperada por todos não virá através das ações do governo. Esta foi a conclusão de um grupo de 30 executivos de grandes multinacionais que se encontraram mês passado no Aspen Wye Institute, Maryland, Estados Unidos. Segundo estes, a indústria terá um papel vital na liderança das ações voltadas para a sustentabilidade.

De acordo com a visão dos especialistas em sustentabilidade da Universidade de Cambridge, Reino Unido, a insustentabilidade está centrada em pontos tais como a orientação da economia para o mercado, o livre comércio, a competição, a orientação para o lucro, o balanço entre a oferta e a demanda, a propriedade privada, o dinamismo e a inovação, a acumulação, perdedores e ganhadores e a desigualdade. O grande dilema é se o atual capitalismo poderá realmente promover uma economia sustentável.

A “economia justa” foi definida como “o suprimento das necessidades básicas, refletindo os valores da sociedade, sem comprometer os recursos naturais e sendo adaptável às mudanças”. Já os dez principais fatores, que na opinião dos executivos da indústria, impedem que esta “economia justa” exista foram citados como sendo: as ações imediatistas de curto prazo, a falta de prioridade à educação e conscientização, o enfraquecimento das instituições, a prevalência da desigualdade, as estruturas econômicas inadequadas, a corrupção, ganância, a inflexibilidade dos sistemas, os recursos naturais limitados e a imperfeição humana.

Viés monetarista, viés da produção, viés do trabalhador, ainda vai levar um tempo para que a nossa sociedade e os líderes que se alternam no poder, percebam que somos seres indissociáveis.

O que é fato, mas não é perceptível, ou seja é o oculto do óbvio, é que não dá para pensar em desenvolvimento sustentável sem considerar todas as partes interessadas no processo de decisão.

Responda depressa: por que a sociedade tem de seguir as diretrizes de cuja elaboração não participou? Por que os poucos esclarecidos têm de definir o destino e o rumo da grande maioria? Por que o orçamento é desproporcional às necessidades da população e por que ela não participa deste orçamento?

O que ocorre na nossa recente democracia, como frisa o brasilianista Thomas Skidmore, é algumas cabeças acostumadas a decidir pelos outros. Até quando a grande maioria da sociedade brasileira viverá a alternância dos vieses? Por que não integramos os vieses e fazemos desaparecê-los?

As respostas para as perguntas acima são ocultas, porém óbvias: falta o RESPEITO ao brasileiro, ao que consome, ao que trabalha e para quem a política deveria estar servindo para tornar possível o necessário para a maioria.

Segundo Gilberto Dimenstein, foi o respeito à cidadania que o permitiu ver a redução drástica da criminalidade em Nova York, ao se respeitar os cidadãos, trazendo-os para o processo decisório de forma democrática e participativa, iniciada nos próprios bairros da “big apple”.

A verdadeira parceria patriótica para o desenvolvimento passa seguramente pela consciência da população. Será a iluminação da sociedade de forma a que todos se engajem na eliminação da pobreza, reduzindo a tamanha desigualdade social do país, que mostrará o caminho da sustentabilidade ao brasileiro. É necessário que haja uma massiva formação de líderes locais e que também permita o interesse e a adesão dos jovens, hoje tão alienados, no processo político. Somente assim poderemos pensar em garantir um futuro mais justo e eqüitativo para o Brasil.

Através da “guetorização” da nossa sociedade, estamos privilegiando poucos e desperdiçando os recursos substanciais e necessários para darmos o salto quântico desejado para O BRASIL DO FUTURO!

As entidades pró-ativas são aquelas cujas práticas democráticas e participativas são visíveis e percebidas em 360º. O sequenciamento genético do Brasil precisa ser urgentemente revelado para que evitemos novas doenças, curemos os males existentes e prolonguemos a nossa vida com qualidade. O DNA do Brasil mostra que a indissociabilidade e a participação são genes fundamentais. A nossa tarefa é RESPEITAR a genética e trilharmos o caminho da sustentabilidade. O futuro do Brasil é agora!

Sobre o autor: Eugenio Singer, 50, é empresário e fellow ABDL. Ele é formado em engenharia civil, mestre em engenharia nuclear e doutor em recursos hídricos e meio ambiente. É sócio fundador da ERM Brasil, membro do Conselho da ERM, da Holding da SEMCO e presidente do Conselho do Instituto Pharos. Participou recentemente como mediador dos temas de consumo, sustentabilidade e lucro e preservação ambiental x desenvolvimento no Fórum DNA Brasil em Campos de Jordão em 2004. O Instituto Pharos em associação com a Cushman Wakefield SEMCO, organizam o I FORUM DE CIDADES SUSTENTAVEIS em Novembro de 2005

25 de Maio, 2005
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