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Operação Curupira aponta esquema de corrupção no Ibama
Autor: ABDL

Em entrevista coletiva concedida nessa quinta-feira (2), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou os primeiros resultados da Operação Curupira, que desbaratou uma quadrilha especializada em fraudar autorizações para exploração de madeira no Mato Grosso. O grupo tinha ramificações dentro de altos escalões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para facilitar a falsificação de documentos.

A ministra afirmou que sua pasta está cooperando com Ministério da Justiça e Polícia Federal desde o início das investigações, em setembro de 2003. Mas, no entanto, admitiu que soube das acusações contra o diretor de florestas do Ibama, Antonio Hummel, somente na noite de quarta-feira (01), mas negou ter sido surpreendida. "Vamos cortar na carne para extirpar o tumor da corrupção", comentou.

Hummel foi incluído na lista de 124 nomes que tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Até o momento, 74 prisões já foram feitas pela Polícia Federal, no Mato Grosso e no Distrito Federal, incluindo servidores do Ibama e da Fundação Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso (Fema) e empresários. Também foram apreendidos R$ 140 mil, dois carros importados e uma aeronave.

O diretor do Ibama entregou-se no final da tarde desta quinta-feira à Polícia Federal, em Brasília. O diretor estava foragido desde a decretação de sua prisão preventiva. Por um erro na operação, policiais foram à casa do irmão de Hummel.

Dos investigados, 42 são empresários e 47 são servidores do Ibama - 39 de carreira e oito de cargos comissionados. Todos já respondem a processo administrativo disciplinar, e o Diário Oficial da União desta quinta-feira publica a exoneração dos oito que ocupavam cargos em comissão. Os servidores de carreira só poderão ser demitidos após a conclusão do processo.

"Desbaratinar uma quadrilha que operava há décadas, reduzir o desmatamento em cinco estados na Amazônia frente a um processo histórico de destruição não é sinal de descontrole. É resultado um esforço que nunca foi feito na história do setor ambiental brasileiro", comemorou Marina. A ministra também afirmou que a desarticulação do bando ajudará a reduzir os índices de desmatamento na Floresta Amazônica - o Mato Grosso é o maior desmatador do país, 48% da área desmatada na Amazônia brasileira ficam no Estado, segundo levantamento recentemente divulgado.

A ministra ainda prometeu que o processo não se encerra com essas prisões, e ajudará a combater a corrupção no setor ambiental do governo e a reduzir os índices de desmatamento ilegal. Para tanto foi anunciado um convênio permanente entre a Polícia Federal e o Ibama para apurar denúncias de desmatamento ilegal em todo o país. A chamada Operação Arribação, terá o foco inicial na apuração de denúncias de crimes ambientais na Amazônia.

1,9 milhão – De acordo com o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, terão que ser desenvolvidas investigações nos Estados de Santa Catarina, Rondônia, Pará e Distrito Federal. Contas preliminares indicam que a quadrilha é responsável pela exploração ilegal de 1,9 milhão de metros cúbicos de madeira. A quantidade seria suficiente para carregar 76 mil caminhões, que, enfileirados, cobririam a distância entre Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF).

O esquema atuava principalmente no Mato Grosso e, segundo as investigações, já estava ativo há 14 anos. O Ibama do Mato Grosso foi colocado sob intervenção por um período 60 dias e já conta com uma equipe substituta nomeada. O fornecimento de Autorizações de Transporte de Produtos Florestais – principal ferramenta da fraude – também está suspenso no estado por 30 dias.

O esquema incluía a falsificação de autorizações – documentos preenchidas eram quimicamente “lavados” e reutilizados – e fraude em fiscalizações. Também foram apuradas a não realização e a fraude nos relatórios de vistorias realizadas pelo Ibama e corrupção de fiscais. Foram descobertas, ainda 431 empresas "fantasmas" envolvidas em todo o Mato Grosso.

Nos próximos 90 dias, todos os Planos de Manejo Florestal em vigor no estado e todas as autorizações para desmatamento já concedidas pelo Ibama passarão por auditorias. Inspeções também serão realizadas nas empresas mato-grossenses que operem no setor florestal para averiguar a autenticidade das informações do cadastramento destas junto ao Ibama.

Com informações: Estadão, Agência Brasil e MMA.

03 de Junho, 2005
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