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Falta consenso sobre mudanças climáticas no G-8

Três semanas antes da sua cúpula, o Grupo dos Oito (G8), os líderes dos países mais poderosos do mundo estão longe de um consenso sobre mudanças climáticas. Pela segunda vez em poucas semanas, um rascunho do acordo que deverá ser assinado na próxima reunião do G8 vazou para a imprensa. Se a versão do final de maio apresentava metas muito frágeis e gerais, a nova versão deixa bem clara a enorme dificuldade na negociação. Estão entre colchetes – o que indica que não existe consenso a respeito da formulação – até mesmo a frase de abertura do documento: “Nosso planeta está esquentando”. De acordo com observadores a objeção às primeiras quatro palavras partiu dos EUA.

O documento, que teve sua autenticidade confirmada, foi elaborado pelo governo britânico que ressaltou se tratar de uma versão preliminar do acordo final. Outra frase entre colchetes, logo no primeiro parágrafo, afirma contém uma afirmação categórica sobre a origem antrópica do aquecimento global, o que indica que membros do G8 ainda resistem em admitir a origem humana do problema. A maioria dos cientistas concorda que o atual ciclo de aquecimento é causado sobretudo pela queima de combustíveis fósseis que liberam os gases causadores do efeito estufa.

O novo texto também não menciona nada sobre quanto dinheiro deve ser gasto para minimizar o aquecimento do planeta. “O texto anterior reconhecia que se deveria gastar determinada quantia em dinheiro, marcada como um X, mas agora nem mesmo há referência sobre o dinheiro”, afirmou Catherine Pearce, da organização ambientalista Amigos da Terra.

A ativista, disse ainda ser preocupante as referências à energia nuclear como “zero carvão” e a ausência de “objetivos, prazos e novos compromissos”. O documento, intitulado “Plano de Ação de Gleneagles”, tem a data de terça-feira (14) passada. Faltando apenas três semanas para a cúpula nessa localidade escocesa, os ambientalistas vêem pouca esperança de um acordo significativo. “Qualquer previsão de que a visita do G-8 à Escócia produziria algo relevante contra a mudança climática se evapora rapidamente”, disse o diretor-executivo da Amigos da Terra nesse país, Duncan McLaren.
“O primeiro rascunho deste documento era ruim. O segundo é ainda pior. Os países do G-8 concentram apenas 13% da população mundial, mas respondem por 45% das emissões de gases causadores do efeito estufa”, advertiu McLaren.

A Amigos da Terra reclama ao G-8 que inclua em seu plano de ação um acordo sobre a evidência científica que atribui a mudança climática em andamento à ação humana, e sobre a necessidade de reduzir as emissões desses gases. Além disso, exige metas específicas, substanciais e com prazos estabelecidos para que os oito países reduzam suas emissões.

A declaração indica que os países do G8 que são parte do Protocolo de Kyoto devem cumprir seus compromissos. Os Estados Unidos não são parte desse tratado desde que George W. Bush repudiou o documento em 2001 alegando que afetaria gravemente a economia nacional. Os Estados Unidos, com 4% da população mundial, emitem um quarto dos gases que provocam o efeito estufa. Somente o Texas, que foi governado por Bush (cuja família tem interesses na indústria do petróleo) supera as emissões anuais da França.

com informações: Envolverde

17 de Junho, 2005
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