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EUA avanço na declaração do G8 sobre aquecimento global
Autor: ABDL

O governo dos EUA está empenhado em esvaziar a declaração sobre mudanças climáticas que deverá ser aprovada durante a reunião anual dos líderes do Grupo dos Oito (G8) que acontece entre os dias 6 e 8 de julho em Glenagles (Escócia). Uma versão preliminar do documento, datada de 14 de junho, indica uma crescente divisão entre a Casa Branca e os demais membros do grupo que, além dos EUA, inclui Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

Confirmando informações divulgadas pelo Portal ABDL, o diário norte-americano Washington Post, que teve acesso às versões preliminares do acordo a ser assinado durante o encontro, informou nessa sexta-feira que "sob pressão dos EUA" foram eliminadas passagens do texto “detalhavam a forma como o aumento das temperaturas afeta o planeta".

O governo W. Bush continua questionando não somente a crescente massa de evidências científicas que ligam o aquecimento da atmosfera com as emissões dos chamados gases de estufa oriundos da queima de combustíveis fósseis. Essa postura vem sendo severamente criticada pela comunidade internacional, especialmente, desde que o governo de Washington decidiu, em 2001, não ratificar o Protocolo de Kyoto sob o argumento de que os cortes nas emissões de dióxido de carbono (CO2) exigidos pelo tratado colocariam em risco o crescimento da economia norte-americana. Os EUA são justamente os maiores responsáveis pela emissão desse tipo de poluição em termos globais.

Nesse contexto, a declaração do G8 vinha sendo considerada uma oportunidade para quebrar o impasse, reaproximando o governo norte-americano das negociações internacionais sobre o controle dos impactos do efeito estufa. O principal defensor dessa estratégia foi o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que ocupa a posição de presidente G8 durante esse ano. Aliado próximo do governo Bush na “guerra contra o terror”, foi Blair quem propôs uma agenda focada nas mudanças climáticas e no combate à pobreza dos países africanos.

Documentos – O jornal norte-americano relaciona a intransigência da Casa Branca em relação ao plano do G8 sobre o aquecimento global com o esforço, empreendido no campo doméstico, no sentido de fazer os relatórios científicos produzidos por agências governamentais dos EUA se adaptem à posição oficial de W. Bush de que as reduções nas emissões de CO2 não são necessárias.

Na semana passada outro periódico daquele país, o New York Times, informou que o chefe do Conselho da Casa Branca sobre Qualidade Ambiental, Phillip Cooney, vinha alterando documentos científicos produzidos pela entidade para que estes enfatizassem as incertezas nas conclusões sobre mudanças climáticas. Analistas apontaram que as edições politizaram as conclusões dos relatórios para que eles respaldassem políticas da Casa Branca sobre meio ambientais e a indústria energética.

Cooney, um ex-lobista da indústria petrolífera americana, deixou o posto na Casa Branca na sexta-feira passada e passou a trabalhar em relações públicas da Exxon Mobil, uma das empresas que mais se opõem aos limites de emissões de gases poluentes.

Segundo o Washington Post, "em preparação para a cúpula (do G8) os negociadores buscam redigir as declarações sobre a mudança climática e outros assuntos de modo que os oito presidentes e primeiros-ministros possam assiná-las". A necessidade de consenso garante que o documento não avance além das estritas posições norte-americanas sobre o tema, entre os trechos removidos do documento por objeção da Casa Branca está a frase introdutória que afirmava candidamente: “Nosso mundo está esquentando”. Isso indica que o próprio efeito estufa não é aceito como verdade cientificamente comprovada.

Outras recomendações contidas na cópia – que reflete a postura da diplomacia dos EUA – a qual o Post teve acesso dizem que o documento deve evitar o termo “metas” e que a definição de “ambicioso” deve ser deixada para cada país.

Com informações: Washington Post e New York Times

20 de Junho, 2005
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