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Greenpeace protesta contra trangênicos em SP
A organização não-governamental ambientalista Greenpeace lançou nesta semana uma provocação direta à Bunge. A empresa, uma das maiores do mundo nos setores agrícola e de alimentos, é acusada pelos ativistas de não controlar adequadamente soja usada em seus produtos e de não alertar devidamente os consumidores sobre a possibilidade deles conterem transgênicos.
No Brasil, a Bunge produz e comercialisa óleo de soja, margarina, maionese, gordura vegetal e sujos à base de leite de soja por meio das marcas Soya, Primor, Salada , Delícia, Ciclus e All Day.
Batizada de "Encha o SAC da Bunge!" - em referência ao Serviço de Atendimento ao Consumidor - a campanha será veiculada em 11 cidades brasileiras e pela internet. Uma peça alegórica no formato de um carrinho de supermercado carregado com os produtos da Bunge está percorrendo a cidade de São Paulo alertando que "há perigo" na cozinha dos consumidores.
Depois da industrialização é impossível detectar a existência de transgênicos na matéria prima. Por isso o Greenpeace está pressionando a Bunge para que a empresa passe a testar a soja que utiliza em seus produtos. Além disso, a legislação brasileira exige que qualquer alimento que contenha mais de 1% de transgênicos deve ser devidamente identificados em seu rótulo.
A Bunge nega que suas unidades utilisem soja transgênica. Segundo o diretor de comunicação da Bunge, Adalgiso Telles, a empresa só se tornou alvo da campanha porque é líder de mercado
No campo - De acordo com o engenheiro agronomo da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Ventura Barbeiro, as vantagens financeiras da soja transgênica em relação às variedade comuns desaparecem logo após os primeiros três anos de plantio.
A variedade de soja transgênica mais popular, a Roundup Ready (RR) da Monsanto, foi modificada para se tornar imune ao herbicida glifosato - fabricado pela mesma companhia - permitindo que os agricultores utilizem controlem as ervas daninhas sem risco de perda para a plantação.
Dados obtidos nos Estados Unidos, onde o cultivo de sementes geneticamente modificadas começou há mais tempo, apontam que as plantações transgências passam a necessitar de maiores quantidades do herbicida em poucos anos. Barbeiro conta que em Mato Grosso, "a erva daninha mais problemática já é tolerante ao glifosato".
Recentemente a Embrapa lançou três variedades de soja transgênica RR adaptadas ao cerrado. De acordo com o engenheiro agrônomo, a tecnologia dessas sementes seria da Monsanto. "O que ela [a Embrapa] fez foi introduzir um pacote de genes patenteados pela Monsanto nas variedades brasileiras. Não há conquista nenhuma. Os agricultores que plantarem a soja da Emprapa pagarão royalties para a Embrapa e para a Monsanto".
Há ainda riscos para a saúde e o meio ambiente. "Passados esses três anos, ela [a soja transgênica] vai agravar o problema da contaminação", porque será preciso utilizar mais agrotóxicos.
Na visão do pesquisador Plinio Itamar de Souza, responsável pela equipe de 20 funcionários que esteve à frente da pesquisa sobre variedades de soja transgênica na Embrapa, poderão ser usados agrotóxicos herbicidas menos agressivos ao meio ambiente. Segundo ele, no projeto das três sojas para o cerrado foram gastos sete anos de pesquisa.
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