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  Metas do Milênio


Conheça os oito jeitos de mudar o mundo, uma campanha permanente onde cada pessoa e organização pode criar atividades ou relacionar ações ligadas aos ODM


Campanha dos ODM no Brasil vira modelo

A campanha brasileira Nós Podemos foi considerada uma das cinco mais bem-sucedidas do mundo para a divulgação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – conjunto de oito metas socioambientais que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015. Um dos motivos que levou o escritório central do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a destacar a iniciativa brasileira foi sua diversidade de elementos que ela compreende – que incluem desde boletos bancários ao samba enredo da Portela.

No relatório publicado pela organização a campanha brasileira é qualificada como “altamente criativa” e “enraizada na cultura brasileira”. Um dos pontos destacados foi adaptação dos ODM às especificidades do país com a adequação dos indicadores utilizados, conciliação da campanha com a demanda nacional por desenvolvimento e combate à pobreza, criação de slogans e logotipos em linguagem coloquial e utilização de elementos que fazem parte do dia-a-dia de grande parte da população.

Assim, o sentido dos oito Objetivos de Desenvolvimento Milênio foi resumido no slogan: “Oito Jeitos de Mudar o Mundo: Nós podemos”. Cada um dos Objetivos teve uma “tradução” coloquial – o oitavo, por exemplo, cuja construção oficial é “Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento”, virou “Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento”.

Para que esses resultados fossem atingidos, a campanha – que é coordenada pelo escritório nacional do PNUD – recorreu a parcerias com empresas e instituições que pudessem incluir informações sobre os ODM em situações cotidianas. Exemplos desse esforço foi o acordo com o Grupo Pão de Açúcar levou os slogans para as sacolas de compra de 564 lojas em 12 Estados brasileiros. Formatos publicitários mais convencionais também foram utilizados com veiculação de peças na MTV, anúncios em revistas e outdoors. Uma parceria com a escola de samba Portela, do Rio de Janeiro, levou os ODM à Passarela do Samba.

“Usar as tradições culturais e os hábitos sociais do país pode facilitar a campanha, aumentar o engajamento, empoderar os parceiros e render resultados maiores”, afirma o relatório do PNUD.

A iniciativa brasileira junto com as da Albânia, Etiópia, Ilhas Maurício e Tailândia – os outros países destacados pelo relatório – agora serão recomendadas como modelo a ser seguido pelo 166 escritórios do PNUD, a outras agências da ONU, a organismos financiadores e a representantes do setor privado e de organizações não-governamentais.

Raça – Embora indicadores de cor ou raça não façam parte das metas propostas nos ODM, o governo brasileiro tem insistido que se as diferenças entre brancos e negros não forem combatidas, dificilmente o país conseguirá cumprir com as metas até 2015.

Para debater esse tema acontece em Brasília, entre hoje e amanhã (28 e 29), o painel internacional “Ações Afirmativas e os Objetivos do Milênio”, organizado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). O evento reunirá autoridades nacionais e internacionais para discutir temas relacionados à igualdade entre raças e suas interações com os ODM. O painel terá ligação direta com a 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial que começa dia 30 em Brasília.

“A relação entre o número de pessoas negras nas camadas mais pobres da população deixa claro que essas questões são importantes”, afirma Magali Naves, assessora internacional da SEPPIR. Devido a essa disparidade e às metas de redução da pobreza contidos nos ODM torna praticamente impossível não encarar a complementaridade entre esses dois temas, por isso o primeiro estudo do governo sobre o assunto, intitulado Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, destacou vários aspectos da desigualdade racial no Brasil.

Os especialistas reunidos formularão sugestões de políticas públicas na área. Eles também vão analisar quais instrumentos existem nacional e internacionalmente para estimular os direitos das minorias. As propostas e conclusões do evento serão encaminhadas para a Conferência, na quinta-feira, para serem discutidas mais profundamente. Ambos os eventos fazem parte da programação do governo federal do Ano Nacional da Promoção da Igualdade Racial.

Com informações: PNUD

28 de Junho, 2005
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