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É impossível levar os EUA ao Protocolo de Kyoto, diz Blair

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou considera impossível persuadir o governo dos EUA a implementar cortes nas emissões dos gases de estufa responsáveis pelo aumento da temperatura planetária – como determina o Protocolo de Kyoto. "Não faz sentido definir uma meta que não é atingível", disse em entrevista concedida à Associated Press. "Há um óbvio desacordo sobre o tratado de Kyoto e não se vai resolver esse desacordo", afirmou.

Um dos mais próximos aliados de Bush na campanha da guerra contra o terror, o premier acrescentou que há questões nas quais os dois lados concordam. "O mais importante é que pelo menos concordamos que devemos rumar para uma economia de baixo carbono, que reduzir as emissões de gases do efeito estufa é parte importante disso e que é importante agir com um certo senso de urgência".

Blair fez da batalha contra o aquecimento global um tema central durante o ano em que ocupa a presidência do Grupo dos Oito (G8) que reúne os sete paises mais ricos do mundo e a Rússia. O problema será debatido durante a reunião dos líderes do G8 que acontece entre 6 e 8 de julho na Escócia.

Durante a reunião, uma declaração conjunta sobre o aquecimento global será assinada pelos líderes dos oito países. Vazadas para a imprensa internacional, as versões preliminares do documento causaram polemica e foram duramente criticadas pelos movimentos ambientais. Segundo os críticos, o texto falha ao não estabelecer metas precisas e por adotar uma linguagem excessivamente vaga – em alguns trechos chega-se mesmo a colocar em dúvida a existência do fenômeno.

O governo Bush abandonou o Protocolo de Kyoto, que havia sido assinado pelo seu antecessor, Bill Clinton, sob a alegação de que o tratado seria prejudicial à economia americana. A Casa Branca também tem questionado o consenso científico de que os poluentes emitidos pelo homem através da queima de combustíveis fósseis causam a elevação da temperatura da Terra.

África – Outro tema que será debatido na reunião do G8, o desenvolvimento da África, pode acabar comprometido como resultado às alterações do clima global. Cientistas da Universidade de Oxford prevêem que grandes áreas de terra produtiva na África podem acabar cobertas por areia, como resultado de alterações provocadas pelo aquecimento global sobre as imensas dunas do deserto de Kalahari.

Essas dunas se estendem por 2,5 milhões de quilômetros quadrados do continente, entre o norte da África do Sul ao oeste de Zimbábue e Zâmbia, passando por Angola, Botswana e Namíbia.

Segundo o estudo, divulgado na revista Nature, as conseqüências sociais dessas mudanças podem ser drásticas e apela aos políticos para que não adotem ações que possam acentuar esses problemas.



"Em Botswana, por exemplo, vimos um enorme crescimento da pecuária usando águas subterrâneas. Isso por si só faz grande pressão sobre o solo e o clima do país", disse à BBC o chefe da equipe de pesquisadores, David Thomas.

A equipe de Thomas criou três modelos para prever as prováveis mudanças do clima naquela parte do mundo ao longo do próximo século e aplicaram os resultados para criar uma simulação do comportamento das dunas. Atualmente as dunas de Kalahari são razoavelmente cobertas de vegetação que as seguram no lugar, mas, em todos os cenários utilizados na pesquisa, acontece um aumento no movimento das dunas.

Se os cenários se confirmarem, até o fim do século 21, toda a região estaria "ativada" e o vento cobriria de areia terras hoje empregadas na agricultura. Dezenas ou mesmo centenas de milhares de pessoas seriam afetadas.

Semana passada, 21 ONGs britânicas publicaram um estudo dizendo que qualquer estratégia para reduzir a pobreza na África está destinada ao fracasso se não forem adotadas medidas urgentes para conter as mudanças de clima.

Aerossóis – Outra pesquisa, que será publicada pena Nature desta quinta-feira (30), apontar para a contribuição dos aerossóis no resfriamento do planeta. A redução dos aerossóis é uma das estratégias de combate à poluição.

Segundo os pesquisadores, caso o sucesso das políticas de controle dos aerossóis não seja acompanhado de perto por cortes nas emissões globais de dióxido de carbono (CO2) o planeta ficaria em média 6º C mais quente por volta de 2100. Bem acima das projeções de um aumento entre de 1,5º C a 4,5º C divulgadas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

"A força real dos gases do efeito estufa tem sido mascarada pelo efeito dos aerossóis. Eles freiam o aquecimento – e nós realmente não sabemos com que intensidade", explica o principal autor do estudo, Meinrat Andreae, do Instituto Max Plank, na Alemanha.

"Se não fosse pelo efeito resfriador dos aerossóis, esse número teria aumentado ainda mais", explica o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, o estudo mostra a urgência de se estabelecer medidas rígidas de controle do carbono na atmosfera.

"A tendência é que cada vez menos aerossóis sejam lançados. Medidas neste sentido foram tomadas em São Paulo, na Cidade do México, na Europa", diz. "O esforço agora deve ser feito para reduzir a emissão de CO2."

Com informações de agências internacionais

30 de Junho, 2005
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