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Divulgar pontos foi a principal sugestão para índice de sustentabilidade da BOVESPA

Acaba hoje a audiência pública para o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que está sendo criado pela Bovespa, em parceria com outras sete entidades. Segundo Mário Monzoni, coordenador-adjunto do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas - responsável pela metodologia do índice -, aproximadamente 40 e-mails, muitos com várias sugestões, foram recebidos.

Confirmando o que aconteceu na reunião pública no dia 10, a principal proposta de mudança foi para que seja público o peso das perguntas que as empresas terão de responder para se candidatar a fazer parte do ISE.

A partir de amanhã, a FGV vai compilar as sugestões e levar as mais pertinentes para votação até o fim deste mês pelo conselho do índice, formado pela Bovespa e as demais entidades participantes. Monzoni não arrisca um palpite de qual será a decisão do conselho com relação à proposta de tornar pública a pontuação das questões. Independente de qual for, o conselho terá de justificar o motivo da decisão, especialmente se o grupo escolher pela não divulgação. "O mercado vai exigir uma boa explicação para o conselho ter decidido não acatar uma reivindicação feita por uma boa parte das pessoas que participou do processo de audiência pública", diz Monzoni. Ele lembra que a maioria das sugestões veio de empresas.

O argumento dos organizadores do ISE para não divulgar a pontuação é evitar que as companhias transformem o questionário em uma espécie de "conta de chegada", na qual identificam as principais questões que precisam ter um bom desempenho.

Para Roberto Sousa Gonzalez, um dos representantes da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec) no conselho, a divulgação dos pesos pode levar as empresas a se preocuparem com as iniciativas relevantes dentro do questionário e não com as boas práticas de sustentabilidade. "Isso pode banalizar os princípios do índice", diz Gonzalez. Antes de tomar qualquer decisão, segundo ele, é importante saber se tal reivindicação é especificamente das companhias - que têm todo o interesse de saber o caminho das pedras para figurar no índice - ou se é um anseio da sociedade.

O segmento de administração de recursos de terceiros já se prepara para montar produtos cujo referencial seja o ISE. A Frontier Investimentos, uma empresa de gestão do Sul do país, está em conversas avançadas para criar dois clubes de investimentos que devem seguir o novo indicador, um para os funcionários de uma instituição pública da região Sul e outro para uma ONG. Para o gestor da asset, Alexandre Torrano, o ISE terá uma boa aceitação entre os investidores mais qualificados, como os fundos de pensão, ou entre as pessoas físicas mais engajadas com a causa, como participantes de ONGs. "O investidor comum acha que a bolsa se resume ao Ibovespa, ele mal conhece o IBrX", diz.

Fonte: Valor Econômico

22 de Agosto, 2005
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