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Especialistas discutem ganho com ecoeficiência
A sobrevivência das empresas nos próximos anos vai depender cada vez mais da adoção de práticas que aliem o compromisso com a sociedade, com o meio ambiente e com os resultados financeiros. Entretanto, adequar-se aos novos paradigmas requer investimentos contínuos - sobretudo em tecnologias mais limpas - e profundas mudanças de comportamento. O desenvolvimento sustentável foi tema do seminário "Ecoeficiência - Cidadania e Crescimento", promovido ontem pelo Valor, em São Paulo.
O empenho em criar uma cultura socialmente responsável deve estar alinhado às estratégias de crescimento do negócio, afirmou Fernando Almeida, presidente executivo do Conselho Empresarial Brasil para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDs).
O conceito de ecoeficiência também deve considerar a inclusão de indivíduos que hoje estão fora do mercado consumidor, estimado em 4 bilhões de pessoas em todo o planeta. O desafio é criar produtos que aliam o respeito ao meio ambiente e sejam baratos. "Incluir a 'base da pirâmide social' no mercado traz a possibilidade de negócios fantásticos", disse Rubens Mazon, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.
Porém, a disseminação dessas políticas só será possível com o esforço conjunto das empresas, governos e das organizações não-governamentais, na opinião de Almeida, da CEBDs. "O tempo é curto e o trabalho, intenso." Segundo ele, investimentos em ecoeficiência mostram resultados efetivos a partir de três a cinco anos.
Entre os benefícios gerados estão a redução de custos na produção e na administração, a redução dos riscos ambientais e, consequentemente, não arcar com multas pesadas e maior facilidade de acesso ao crédito, segundo Rogério Ruschel, presidente da Ruschel & Associados Marketing Ecológico.
A adoção de práticas sustentáveis pode também render um bom dinheiro aos acionistas, uma vez que as práticas reforçam a boa imagem da empresa, valorizando a marca. Citando estudos do especialista canadense em desenvolvimento sustentável Bob Willard, Ruschel afirmou que companhias que adotam práticas responsáveis conseguem aumentar seu lucro em até 38%. Entretanto, esse número ainda não é consenso entre os especialistas.
O Índice de Sustentabilidade da Dow Jones, que reúne ações de empresas consideradas ambiental e socialmente responsáveis da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), teve valorização de 176% entre dezembro de 1993 e julho deste ano. No mesmo período, o índice Morgan Stanley Capital International (MSCI), subiu 92%.
De olho nesse desempenho, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) lança em dezembro o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que reunirá 40 companhias que atendam a um critério que envolve as práticas de responsabilidade social, aliadas à liquidez dos papéis e à transparência da companhia, disse o superintendente executivo de operações da bolsa, Ricardo Pinto Nogueira.
O compromisso socioambiental atrai também o grande interesse dos investidores. De acordo com o Estudo de Percepção do Investidor, realizado pela Fundação Getúlio Vargas, quase 50% dos consultados consideram que o respeito ao meio ambiente por parte das empresas tem "muita" ou "máxima" importância entre os indicadores. A pesquisa ouviu analistas, investidores, gestores e empresas.
Fonte: Valor Econômico
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