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Instituto DNA Brasil confronta visões de um país ideal
A partir do evento DNA Brasil – quando 50 representativos brasileiros se reuniram para pensar os próximos 50 anos – surgiu a idéia de reunir 50 brasileiros que componham a exata divisão socioeconômica e regional do país, para ver como Brasil “real” pensa os mesmos assuntos discutidos pelo Brasil intelectualizado. O fellow Eugenio Singer, Presidente do Instituto Pharos, foi o mediador de duas salas: Novo Jeito de Trabalhar e Preservação Ambiental e Desenvolvimento.
Com uma matriz baseada no último Censo, e com a ajuda de mais de uma centena de instituições e organizações não-governamentais, o Instituto DNA Brasil encontrou nas cinco regiões do Brasil os 50 brasileiros reais capazes de compor um grupo que reflita de alguma forma a divisão sócio-econômica do país.
Eles se encontraram em São Paulo nos dias 26, 27 e 28 de agosto de 2005 a fim de debater idéias estratégicas para o Brasil no Instituto Pio XI em São Paulo, no Alto da Lapa. Reclusos exatamente como estiveram os colegas intelectuais em Campos do Jordão, os 50 brasileiros reais se concentraram por três dias para refletir sobre os desafios dos próximos 50 anos.
Novo Jeito de Trabalhar
O incentivo ao estudo, flexibilização da CLT e das condições formais de trabalho foram alguns dos pontos debatidos na sala “Novo Jeito de Trabalhar”. Os 12 participantes apontaram problemas graves e pontuais, que travam o desenvolvimento do país, como a falta microcrédito a juros baixos, e o desemprego, que atinge a maioria dos debatedores. Apenas Diego Rojas, de São Paulo, e Djalma dos Santos, de Diadema (SP), os mais novos, levantaram questões sobre conceitos como a flexibilidade de horários e o ócio criativo. Os demais mostram preocupação em tratar de assuntos mais conjunturais.
Os participantes também acreditam que, atualmente, ser empreendedor e buscar sempre o aperfeiçoamento profissional é indispensável para sobreviver no mercado de trabalho. Até um simples pedreiro precisa ser “eclético” para conseguir emprego, comenta José Antônio Ferreira, de Uberlândia (MG).
“Estamos prontos para a flexibilidade? Eu tenho [a flexibilidade no trabalho], mas me sinto culpado em tirar um dia de folga. Pode ser que nesse dia tenha alguma decisão que só eu possa tomar”, diz Djalma.
Em apenas duas horas de debate os convidados conseguiram construir uma lista de propostas:
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Incentivo ao estudo, aperfeiçoamento, e evolução do trabalhador;
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O aluno da universidade pública deve devolver à sociedade o investimento que recebeu, por meio do trabalho voluntário na comunidade, por exemplo;
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Creches e escolas integrais para que a mulher possa se realizar no trabalho sem prejudicar a educação dos filhos;
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Flexibilização da CLT: encargos sociais impedem a criação de empregos e fecham pequenas empresas;
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Uso da criatividade para o homem comum vencer suas crises econômicas particulares;
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Estímulo ao cooperativismo, busca da sustentabilidade e suporte para comercialização dos produtos gerados;
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Oferta maior de crédito para que o trabalhar autônomo possa ter capital de giro para manter-se;
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Qualificar antes de emprestar recursos, qualificação democrática e gratuita.
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Tornar as próprias comunidades multiplicadoras de soluções;
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Expandir projetos como o “Jovem Empreendedor”.
Preservação Ambiental e Desenvolvimento
Como viabilizar o crescimento social sem desrespeitar a população e o meio ambiente? Para responder essa questão, 16 convidados se reuniram na sala temática da “Preservação Ambiental e desenvolvimento”, mediada por Eugenio Singer.
Eles conversaram sobre questões que vão desde a economia até a condição humana frente à natureza e o uso que dela se faz. Para Aldenor Sobrinha Barbosa, de Novo Airão (AM), a sustentabilidade é hoje uma “questão fantoche”. Ele considera que o padrão de consumo das cidades é incompatível com a preservação da floresta. A usura e a ganância das grandes empresas, que segundo ele, só pensam em lucrar, foram apontadas como algumas das causas da destruição da natureza. “Chegará um dia em que a humanidade perceberá que não come dinheiro”, profetiza.
Outra questão importante foi levantada pela também amazonense Maria Miquelina Barreto Machado e diz respeito à falta de profissionais especializados na área que sejam nascidos e criados na região da floresta. Ela pontua que essas pessoas chegam de outros estados e quase nada sabem sobre o local, a comunidade, a cultura e a riqueza do lugar. Nesse momento, Aldenor Sobrinha Barbosa entra na discussão e alerta que é preciso que a população dessas áreas tenha mais voz nos processos legislativos e decisórios. Estes, normalmente são gestados nas grandes capitais do Sul e Sudeste por gente que nunca pisou os pés na Amazônia e desconhece as necessidades regionais.
Enquanto alguns convidados tomavam chimarrão e outros olhavam colares artesanais feitos com sementes da Amazônia brasileira, o mediador Eugenio Singer colocou a seguinte questão: “Como combater a pressão pelo crescimento?” Para Maria Miquelina, de origem indígena, criar normas que regulem o uso de recursos da floresta é fundamental. “De que forma vou retirar madeira? E para quem vou vender?”, questiona. Ela sugere que sejam criados certificados de origem dos produtos amazonenses para combater a ação de atravessadores ilegais e gerar renda para as pessoas do lugar.
Uma reflexão feita por Mauro Alves de Araújo, mereceu a atenção da sala. “Nosso pensamento está ligado ao que comemos. Na busca por alimento, escolhemos quem vive e quem não vive”, observa. Para ele, deve-se “reformar o ser humano”. Ele cita como exemplo o consumismo desenfreado, onde um homem da cidade precisa de quatro mil itens para viver ao longo da vida. Em contrapartida, um índio vive com apenas 80.
Mas a sala não ficou só nos questionamentos. Algumas idéias surgiram para a busca por um equilíbrio entre o desenvolvimento social e a preservação do meio ambiente. As soluções apontadas permeiam todos os outros temas do DNA do Brasil Real. Para evidenciar isso, as seguintes propostas foram eleitas e relacionadas às salas temáticas do evento:
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O Brasil é patrimônio dos brasileiros (Quem manda em nós?);
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Mandar em nosso território e punir as invasões estrangeiras (Brasil do “por fora”);
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Ecoturismo, qualificação de profissionais, cultura da subsistência (Novo jeito de trabalhar);
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Reforma agrária, agricultura familiar e consciência ecológica (Exclusão Social);
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Integrar a preservação ambiental a todas as áreas do conhecimento (Educar para quê?);
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Integrar o saber popular (regional) ao saber acadêmico (Universidade x pesquisa);
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Organizar a sociedade na luta pelos ecossistemas (Nós e o mundo);
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Medicina tradicional popular e reconhecimento de “patentes naturais” (Longevidade);
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Participação popular na criação das leis e das políticas públicas de preservação (Política para quê?);
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Combater a biopirataria e respeitar patentes de conhecimento (Propriedade Intelectual)
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Utilizar a igreja como difusora de uma conscientização ambiental (Religião para quê).
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Reformar os hábitos de consumo humano (Consumo x sustentabilidade x lucro).
Veja também:
Poder está distante do brasileiro comum
Carta dos brasileiros aos brasileiros
DNA Brasil quer descobrir a vocação do país
LEAD no DNA Brasil
Sobre o Instituto DNA Brasil
O Instituto DNA Brasil, um think tank inovador cujo objetivo é pensar – e repensar – o futuro do Brasil, nasceu em setembro de 2004. O lançamento consistiu em um encontro de três dias que agrupou proeminentes especialistas de diversas áreas, todos convidados a refletir sobre o Brasil em um evento surpreendente, provocativo e heterodoxo.
O evento e o Instituto pretendem de engajar os mais respeitáveis líderes, pensadores e artistas brasileiros em um esforço de colaboração que os retirarão de suas rotinas e os colocarão em um espaço no qual eles possam se dedicar inteiramente – por algum tempo – na criação de um futuro melhor para o Brasil.
Saiba mais no site: www.dnabrasil.org.br
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