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Silves ganha reportagem como comunidade sustentável

(GTA) - Fundada na metade do século 17 em uma região repleto de lagos das mais variadas formas e tamanhos, a cidade de Silves - aninhada em uma ilha entre os lagos de Saracá, Canaçari e Mirituba e rodeada pelos rios Urubu e Itapani, no nordeste do estado do Amazonas - nasceu da tragédia do genocídio dos índios Guanavena pelos colonizadores portugueses. Mas em 2005, como registrado por Sílvia Reali com fotos de Heitor Reali na revista Planeta (número 399), abriga dois dos empreendimentos mais bem sucedidos para comunidades sustentáveis na floresta: a ASPAC e a AVIVE.
Criada em 1993, a Associação de Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC) foi fundada por gente de clara visão como Bento Ribeiro, Tibério Alloggio e Vicente Neves entre muitos outros. De seu primeiro objetivo, proteger lagos contra a pesca predatória, as queimadas descontroladas e a exploração ilegal de madeiras nobres, criou uma das alternativas mais importantes da Amazônia: o hotel comunitário Aldeia dos Lagos, criado com apio técnico da WWF e com recursos do governo da Áustria.
Paralelamente à ASPAC, surgiu a partir de um curso de mulheres da cidade no Sebrae, em 1999, a Associação Vida Verde da Amazônia (AVIVE). O curso era sobre ervas medicinais e aromáticas, mas logo despertou uma vontade imensa entre 15 participantes de fazerem alguma coisa juntas. "Criamos então a associação", conta Bárbara Schamal, amazonense por opção há mais de sete anos. Da produção de sabonetes caseiros, cosméticos naturais, incensos e chás de uso popular passaram a buscar a integração entre ações de conservação e reflorestamento. E foi então que chegaram até o pau-rosa, árvore famosa por ter sido usada para o perfume Chanel 5 e quase extinta pelo uso descontrolado. Replantadaspela prefeitura e pelas comunidades, está voltando aos poucos a ter seu manejo possível pela iniciativa e pela vinda da essência de outras áreas extrativistas da região autorizada pelo IBAMA. Em 2002, uma das mulheres da cooperativa conta que ficou emocionada ao ver suas colegas Bárbara e Regina recebendo em Joanesburgo, na África do Sul, o prêmio Iniciativa Equatorial da ONU das mãos da ativista indígena da Guatemala e Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchu. "Muita gente nem sabe onde fica Silves, mas nossos produtos estão fazendo a cidade conhecida mundialmente".
Encantada com Silves, a jornalista Sílvia Reali compara a viagem pelo rio Sanabani, a caminho de Silves, com as imagens das pinturas do jardim aquático repleto de nenúfares e lírios d´água feitas por Monet e expostas em Giverny, na França.
Nota GTA: A mesma revista traz um artigo emocionante da jornalista Priscila Gorzoni sobre o impacto emocional da destruição da cidade mineira de Itueta por uma barragem hidrelétrica que os levou para uma outra cidade que não respeitou os valores antigos. Ela conclui que "todos esses depoimentos mostram como as referências familiares e econômicas são fundamentais para o equilìbrio do indivíduo e da sociedade. Sem elas fica difícil enfrentar o mundo".
Não perca.
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www.revistaplaneta.com.br

Publicado originalmente em:www.gta.org.br

29 de Novembro, 2005
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