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Mercado obtém garantia de nova fase do Acordo de Kyoto
A 11ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-11), encerrada em Montreal, ajudou a concretizar o emergente mercado de combate às mudanças climáticas. Executivos de consultorias e corretoras envolvidas com os chamados créditos de carbono passaram as últimas duas semanas repetindo que se o encontro terminasse em impasse, o mercado entraria em colapso. No entanto, o acordo obtido entre os países de que o Acordo de Kyoto será prolongado para além de 2012 acalmou os ânimos.
"A forte presença do setor de negócios era uma indicação de que deveria haver uma nova fase de Kyoto", diz Elliot Diringer, do Pew Center on Global Climate, um dos mais importantes centros de pesquisa sobre o tema. Além dos tradicionais delegados dos países-membros do Acordo de Kyoto, havia grande quantidade de estantes de empresas que lidam com o problema do aquecimento global.
Embora não fixe datas de quando devem terminar as negociações de um novo período de Kyoto, o texto aprovado no Canadá, foi ao menos claro em um ponto: não devem haver hiatos entre a primeira e a segunda fase. Esta era a garantia que o mercado procurava.
As negociações sobre o futuro do acordo começarão em 2006. Os EUA retiraram suas objeções a tais discussões, decisão considerada uma vitória para os demais países.
O Banco Mundial é um dos motores do mercado de carbono. Possui 7 fundos com cerca de US$ 400 milhões para comprar certificados de redução de emissões em todo o mundo, sendo que 30% dos créditos serão entregues na segunda fase de Kyoto. "Precisamos de garantia de que o mercado vai durar, pois ninguém projetará uma usina de energia eficiente se não houver quem pague pela tecnologia limpa", ponderou o conselheiro para desenvolvimento sustentável do Banco Mundial, Ken Newcombe.
Um dos exemplos de sucesso no mercado de carbono é a Bolsa Européia de Emissões inaugurada em janeiro deste ano. Até agora 4,2 bilhões de euros já foram negociados entre empresas que receberam ordens de seus governos para reduzirem o nível de poluição. "Isso supera expectativas", comemora Clare Byers, executiva do Fortis Carbon Banking, um dos grandes financiadores do mercado europeu.
O bem sucedido comércio europeu, porém, gerou críticas na COP-11. Dizia-se que Kyoto caminhava para se tornar um projeto para a redução de poluição industrial - só empresas ricas com capacidade de investir tecnologia se beneficiariam do acordo. Mas até esta dúvida parece ter sido dirimida.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), modalidade de crédito de carbono que permite que países ricos abatam metas de redução de gases ao investirem em novas tecnologias nos países pobres, recebeu impulso após ser simplificado pelo comitê gestor.
A previsão é de que até 2012, quando termina a primeira fase de Kyoto, 500 projetos de MDL estejam funcionando. Isso representaria pelo menos o dobro de carbono já negociado dentre da Bolsa Européia, 500 milhões de toneladas. Hoje, 1 tonelada de carbono custa cerca de 20 euros na Europa. Reflorestamentos, co-geração de energia ou o aproveitamento de gases de aterros sanitários são alguns dos projetos comuns de MDL. Até agora, Índia, China e Brasil são os países que mais detêm pedidos de aprovação de MDL na ONU.
Ainda assim, consultorias julgam que seu tamanho não é suficiente para competir com os investimentos no tradicional mercado de energia. A bolsa futura de gás natural dos EUA movimenta US$ 10 bilhões por dia; a Bolsa Européia de carbono chegou aos 4 bilhões de euros após 1 ano de funcionamento. Mas James Cameron, da consultoria Climate Change Capital, é otimista. "Em dois anos, um novo governo nos EUA entrará em Kyoto e fará o mercado ainda maior."
Fonte: Valor Econômico
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