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Nova norma não garante água que sai da torneira, diz técnico
Especialista condena os novos parâmetros estabelecidos pelo governo para determinar a potabilidade da água que chega aos lares brasileiros. "Essa norma não garante água potável, mesmo se atendermos 100% dos padrões estabelecidos por ela", critica o professor e presidente do Centro Internacional de Referência em Reuso da Água (Cirra), Ivanildo Hespanhol, da Universidade de São Paulo. As declarações foram feitas durante o seminário Água e Saúde, promovido pela Fiesp, em São Paulo.
Para o professor, a nova portaria, editada em dezembro, altera parâmetros, inclui substâncias químicas, mas não muda a forma como é feito o tratamento da água no País. "A primeira mudança brutal que tem de ocorrer é no sistema de tratamento que as companhias têm hoje. Não adianta ter vigilância sanitária, se não temos sistemas de tratamento eficientes." Segundo Hespanhol, a situação do tratamento deste bem é crítica no Brasil. O especialista afirma que os sistemas convencionais utilizados no País estão ultrapassados. "Eles foram projetados há 100 anos para remover sólidos. Hoje, o problema não é mais sólido", diz.
Hespanhol explica que a poluição dos recursos hídricos no País mudou. Atualmente, são levados para cursos de água substâncias presentes em anticoncepcionais eliminadas pelas mulheres, produtos farmacêuticos quimicamente ativos, novos tipos de agrotóxicos, entre outras substâncias que não são tratados pelo sistema convencional. "Eu não tenho dúvidas que a ocorrência de doenças transmissíveis esteja diminuindo. O grande problema agora são as doenças crônicas, que estão aumentando por causa de substancias químicas. Coisas que a norma nem cita."
A representante do Ministério da Saúde, Mariley Helena Barbosa, discorda. Ela defende a norma afirmando que a lei considera o potencial tóxico das substâncias químicas presentes na água e a intensidade do uso dessas substâncias no País, entre outros aspectos. Além disso, Mariley explica que o padrão de potabilidade brasileiro é avaliado a partir de legislações internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela ressalta ainda avanços em outros aspectos. "Antes a lei focava apenas o padrão de potabilidade de água. Agora, também consta como deve ser trabalhado, o que cada um tem de fazer e como fiscalizar isso."
Hespanhol questiona a forma como o novo padrão está sendo avaliado. Ele afirma que não houve adaptação das diretrizes da OMS para a realidade brasileira. "Será que existem algumas variáveis que eles não utilizam e nós precisaríamos utilizar? Não tem cabimento pegar tudo o que eles têm e reproduzir aqui", pondera.
Para Hespanhol, os aspectos a serem analisados não dependem apenas de estudos toxicológicos, mas também de questões culturais, sociais, técnicas e de custo. "Querem copiar normas, sem fazer estudos de quais variáveis realmente devem ser avaliadas e chegar em uma norma realista que represente as nossas condições", critica.
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