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Água Urbana para Uso Industrial - Relatório sobre a visita de campo de Águas Calientes
Dia 1 - Saímos pontualmente ao meio dia rumo à Águas Calientes, com um grupo que reunia paquistaneses, indonésios, brasileiros, mexicanos, nigerianos, benin, marroquinos, tunisianos, indianos, um japonês solitário e nossa querida resource person, Paula. No caminho um filminho para entrarmos no espírito... “A Máscara do Zorro”. Neste momento as pessoas ainda tinham poucas conversas e muitas expectativas.
Chegamos em Águas Calientes direto e reto para a sala de conferências do hotel, onde o prefeito da cidade já nos aguardava para contar um pouco da questão da água na região. Nesta oportunidade também pudemos conhecer os nossos maravilhosos anfitriões: Maria Elena (resource person), que fez de tudo para que a nossa visita de campo fosse além de produtiva, super agradável; o fotógrafo, Paco, que nos acompanhou em todas as atividades registrando tudo; e o Jorge, professor da Universidade de Águas Calientes, que organizou tudo nos mínimos detalhes.
Após a abertura do prefeito, tivemos ainda outras três palestras nos situando na questão da água. A região depende, em 90%, da água subterrânea e o nível do aqüífero baixa aproximadamente 4 metros por ano, além disto a região possui uma represa para abastecimento de água de irrigação, mas não atende 100% das áreas rurais.
Após as apresentações nada como uma vida calma! Em 20 minutos fizemos o check-in, tomamos banho e saímos para passear pela Feria de San Marco e cenar no Hotel Fiesta Americana. A Feria de San Marco é a maior feira da região, com barracas vendendo de tudo, desde eletrônicos paraguaios até artesanatos mexicanos. Muitos Mariachi’s na rua, cassino, briga de galo e torada. Foi uma experiência inesquecível porque, na realidade, nós fomos a maior atração da feira. Esta região do México não possui negros, conseqüentemente, nossos colegas africanos – vestidos com suas roupas imponentes e a altura que lhes é peculiar – fizeram com que todos os olhares se desviassem para eles. Após o jantar – tacos e tequila é claro – caímos mortinhos na cama.
Dia 2 – Despertar de madrugada. A primeira atividade foi a visita à associação de usuários da água da represa, formada por agricultores que recolhem as taxas e fazem o gerenciamento da distribuição ao longo dos canais de irrigação. Apesar de uma apresentação interessante, não nos deram muito espaço para perguntas. Depois disto tivemos a oportunidade de visitar uma pequena propriedade que está implantando um novo sistema de irrigação. As áreas de plantio ficam cobertas, na altura do solo, com plástico e a irrigação é feita por baixo. Hora de partir para mais uma atividade, a Reserva de Educação Ambiental Los Alamitos na Sierra Fria.
A Sierra Fria é a zona de recarga do aqüífero utilizado por Águas Calientes. Muito corretamente o estado transformou a área em parque. Dentro do Parque existe um acampamento de Educação Ambiental para as escolas da rede pública de ensino. As crianças passam 2 dias no Parque durante o primário ou ginásio. Aprendem sobre a importância da região para Águas Calientes.
Após Los Alamitos tivemos o ponto alto de toda a visita de Águas Calientes, o Ejido La Congoja! Os ejidos são as terras distribuídas após a reforma agrária mexicana e funcionam em regime comunitário. Fomos muito bem recebidos por uma população bastante sofrida. Queriam saber como poderíamos ajuda-los. A região não possui água para irrigação e, sem incentivos e ajuda do governo, a atividade agrícola não sustenta mais a comunidade. Pediram que fizéssemos chegar às autoridades a necessidade de ajudarem eles a desenvolverem atividades de ecoturismo.
A última parada do dia foi uma olhada na represa de Calle Dam, com apenas 30% de sua capacidade total. A população que vive ao lado da represa sequer tem água encanada para consumo. Mortinhos de cansaço tivemos uma noite livre.
Dia 3 – Café da manhã com o Governador durante o qual tivemos o prazer de apresentar as reivindicações dos nossos queridos ejidatários e ouvir, em resposta, que “Água no tiene color”!
Seguimos para uma visita bastante sem graça à fábrica da Nissan, onde só nos mostraram a Estação de Tratamento de Efluentes. De lá fomos conversar com a empresa privada que gerencia a água do município de Águas Calientes. Conclusão desta reunião: o custo da água subiu e o serviço piorou. Novidade! O dia foi leve e ao final tivemos o prazer de receber Júlia e Boris para um Jantar na Universidade de Águas Calientes, com direito à Mariachis e muita comida mexicana.
Finalmente o último dia. Tivemos a oportunidade de conhecer as pesquisas da Universidade de Águas Calientes para minimização do consumo de água na irrigação. Tecnicamente o dia foi proveitoso, mas o mais gostoso foi estar com os nossos amigos Maria Elena, Maria Cecília, Pago e Jorge... fizemos um piquenique, conversamos, cantamos e guardaremos esta lembrança para sempre.
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