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Mamona pode viabilizar biodiesel brasileiro

A cultura da mamona pode se tornar em curto prazo, no cenário do Nordeste, um dos principais componentes de um programa nacional de biodiesel. A estimativa é de que cerca de 40% do biodiesel produzido no Brasil nos próximos anos, misturas B2 e B5 depois, sejam obtidos a partir dessa oleaginosa.

A estimativa é de especialistas do setor e de pesquisadores da Embrapa Algodão, a unidade da estatal vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento responsável pelas pesquisas públicas sobre a mamona no país, que realizou recentemente seminário técnico para redefinir suas prioridades de pesquisa com a cultura para os próximos quatro anos.

A principal demanda do setor produtivo mamoneiro é a obtenção de variedades de porte baixo, em torno de 1,3 metro, para viabilizar a mecanização da colheita, especialmente para o cultivo na região centro-sul. Do ponto de vista da expansão das fronteiras agrícolas, as pesquisas devem se concentrar a partir de agora na obtenção de variedades cultiváveis em baixas altitudes. Hoje a mamona só é viável economicamente se plantada acima dos 300 metros acima do nível do mar.

A Embrapa vai direcionar ainda suas pesquisas com mamona para questões relacionadas ao manejo cultural, como adensamento de plantas, métodos de controle de plantas daninhas, manejo pos-colheita, entre outros e o melhoramento genético, buscando soluções para o aumento de tolerância à salinidade, ao alumínio trocável e à seca. Os pesquisadores também querem obter plantas semi-indeiscentes e indeiscentes (aquelas que não ejetam as sementes), mais produtivas e com maior teor de óleo nas sementes, com pelo menos 50 % com relação ao peso das sementes.

Os pesquisadores da estatal estão desaconselhando os agricultores a consorciar a mamona com culturas como milho e sorgo, para evitar a competição desfavorável à mamona. Uma outra vertente que começa a ser explorada pelos especialistas é o de tecnologia para a produção de mudas. Segundo Beltrão, o cultivo com mudas pode ser significativo para as regiões onde a oferta de água é comprometida, principalmente na fase de plantio.

Produção - A Bahia é o maior produtor nacional, com 92% da produção brasileira, concentrada fundamentalmente na região de Irecê. Hoje o Brasil tem cerca de cinco milhões de hectares zoneados agroecologicamente para o cultivo dessa oleaginosa. Apenas na região Nordeste são cerca de 19 milhões de hectares agricultáveis para regime de sequeiro para todas as culturas, dos quais cerca de 4,5 milhões com aptidão para o cultivo da mamona em condições de sequeiro. O uso de sementes certificadas tem possibilitado uma produtividade de até 5,5 toneladas por hectare na Bahia.

A certificação e a fiscalização de sementes tornou-se outro gargalo na produção da mamona. Esse ano o Governo Federal está destinando, através do Pronaf, R$ 64 milhões para a revitalização da ricinocultura brasileira, dos quais R$ 9 milhões apenas para ações junto ao serviço público de assistência técnica e extensão rural.

Segundo o pesquisador Napoleão Beltrão, o biodiesel poderá suprir o abastecimento de 16% da frota nacional de veículos, ou mais, dependendo dos investimentos e verificando-se as vocações regionais, caso da mamona no Nordeste, do dendê no Norte e de outras oleaginosas. Além da questão econômica e energética, a mamona é uma das principais fontes de biomassa e pode ajudar na reversão do processo de poluição atmosférica mundial. "A mamona seqüestra cerca de dez toneladas de carbono por cada hectare plantado e pode com as cultivares atuais viver produzindo bem por dois ciclos, ou seja por dois anos", diz Beltrão.

Fonte: Embrapa Algodão

18 de Agosto, 2004
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