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O Compromisso das Empresas com a Valorização da Mulher
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social lançou, no dia 1º de setembro de 2004, no Espaço Promon, em São Paulo, o manual "O Compromisso das Empresas com a Valorização da Mulher".
Segundo o presidente da entidade, Oded Grajew, a publicação é uma ferramenta para colocar em prática a valorização da mulher nas empresas e na sociedade, com ações concretas não apenas de gestores, mas também de funcionários, com grande poder de propagação. "O compromisso vale para empresas, ONGs, sindicatos, governos, parlamentares e outras organizações sociais, porque todos têm funcionários, fornecedores e clientes", afirmou.
Grajew destacou a força das mulheres no processo de transformação social, exemplificando que se elas, que são as grandes consumidoras, decidissem comprar apenas produtos de empresas comprometidas com as Metas do Milênio - estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000 -, todas as organizações passariam a adotar esses objetivos.
O manual foi apresentado aos participantes do evento pela jornalista Luci Ayala, redatora da publicação, realizada com a colaboração de várias organizações sociais ligadas à mulher, o patrocínio institucional do Banco Safra, o patrocínio do Bank Boston, O Boticário e Multibrás e o apoio institucional da Inter-American Foundation (IAF) e da Organização Intereclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento (ICCO).
O conteúdo, relacionado à Meta 3 (promover a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher), envolve as relações existentes entre a valorização das mulheres e o enfrentamento da pobreza, um perfil da participação dessa população no mercado de trabalho no Brasil, avanços nessa área - políticas públicas e práticas empresariais -, com exemplos de programas e iniciativas de várias organizações, e propostas de ações voltadas à promoção da igualdade de condições entre homens e mulheres na empresa e fora dela.
"De acordo com a Secretaria Geral da ONU, 1,2 bilhão de pessoas no mundo vivem abaixo da linha de extrema pobreza e 70% delas são mulheres. O Brasil ainda precisa avançar nessa área", comentou Luci. Para ela, as condicionantes do trabalho feminino são divisão sexual do trabalho, maternidade e discriminação e dupla jornada de trabalho. "É fundamental incluir a eqüidade de gênero no plano de ação estratégico da empresa", defendeu a jornalista.
"Promover a eqüidade de gênero é uma questão de justiça. Quando se fala nisso o primeiro olhar tem de ser para dentro", opinou a oficial de programa do Unifem para o Brasil e Cone Sul, Júnia Puglia, durante o debate. Deise Recuaro, da Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, contou que, ao ler a publicação, lhe causou espécie a situação da mulher negra no mercado de trabalho, a questão da terceirização e de a mulher enfrentar obstáculos na ascensão na carreira por não estar tão disponível para horas extras. "Isso é opressor para os homens, tanto quanto para as mulheres", acrescentou.
A secretária Nacional de Políticas para a Mulher da Força Sindical, Neusa Barbosa de Lima, enfatizou que o manual não deve ser guardado em uma gaveta. É para ser estudado e debatido no dia-a-dia. "Sugiro discutir as questões apresentadas em conjunto com os sindicatos patronais", ressaltou.
"A questão racial é também muito importante", afirmou José Carlos Ferreira, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ele informou que a taxa de desemprego, por exemplo, chega a 25% entre as mulheres negras jovens - maior que em qualquer outra estratificação que se faça.
Para a ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, é possível trabalhar na desconstrução da discriminação e dos preconceitos se eles forem identificados. Historicamente, o movimento feminista obteve muitas conquistas, mas que não são suficientes para a igualdade social. "A distância entre o assegurado formalmente e a prática cotidiana precisa ser eliminada por meio de atitudes da sociedade e de políticas públicas", destacou Nilcéa. Nesse sentido, o governo federal promoveu uma conferência que resultou em um conjunto de diretrizes voltadas às mulheres, que devem ser lançadas até o início de dezembro deste ano.
"É importante discutirmos o assunto, especialmente no âmbito das empresas", comentou Lara Mungioli, da área de marketing da Editora Abril, após assistir à apresentação do manual "O Compromisso das Empresas com a Valorização da Mulher". "Meu interesse é levar essas informações para a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e transmiti-las às empresas e aos profissionais de RH", complementou a vice-presidente de Responsabilidade Social da ABRH, Jorgete Leite Lemos, participante do evento.
Fonte: Instituto Ethos
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