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Manaus: uma grande cidade brasileira
Manaus é uma “clareira na floresta”, segundo uma de nossas palestrantes.
A princípio, poderia se pensar que a proximidade da floresta determinaria condições específicas, de integração e condições de vida de boa qualidade.
Entretanto, o que pudemos apreender do painel realizado no domingo pela manhã e da visita de campo realizada no restante do dia, Manaus sofre dos mesmos problemas das grandes cidades brasileiras.
Os dados secundários permitem que tenhamos uma idéia de como é a situação do saneamento da cidade. Entretanto, a vivência, o conhecimento “pé-no-chão” permitiu que tivéssemos uma idéia melhor do significado da falta de saneamento, da falta de condições mínimas para a sobrevivência digna. Nesse sentido, o painel e a visita foram perfeitos: permitiram que tomássemos contato direto com os problemas. Jaime Kuck, Marcos Roberto Pinheiro e Cláudia Stainer foram os interlocutores do domingo, mostrando os diversos ângulos da cidade de Manaus.
As mesmas questões que ameaçam a vida das pessoas também afetam o ambiente. Afinal, sociedade e ambiente compõem um mesmo sistema. Assim, o esgoto despejado diretamente nos cursos d’água praticamente inviabilizam a sobrevivência de seres vivos nos igarapés antigamente piscosos da capital amazonense. Da mesma forma, o lixo, presente em toda parte, possibilita apenas a proliferação de vetores, e de urubus, que fazem parte da paisagem das cidades da Região Norte, e chocam os visitantes de primeira viagem.
Assim, acompanhar o Igarapé do Mindu em vários pontos de seu trajeto trouxe à mente situações como aquelas que conhecemos no M´Boi Mirim, na Região Metropolitana de são Paulo. A poluição e a contaminação são as mesmas.
É interessante salientar, e a discussão com nossos convidados evidenciou isso, que os processos sociais que condicionam a expansão urbana são os mesmos encontrados em outras grandes cidades brasileiras. O papel central é exercido pelo capital imobiliário especulativo, que direciona os eixos de expansão urbana.
Na lógica do capital imobiliário não há espaço para consideração das questões ambientais, que envolvem considerar as ações e interferências no longo prazo. Com isso, a ameaça às áreas de mananciais é constante, como acontece nas outras grandes cidades brasileiras. No caso de Manaus, a expansão urbana ameaça também áreas florestais importantes, que abrigam espécimes endêmicos de primatas, como o Sauim de Coleira.
Manaus tem suas especificidades, como cidade industrial, que concentra metade da população estadual, e recebe cerca de 90% dos investimentos realizados no estado, conforme nos foi dito. A Zona Franca é um elemento que incorpora ainda mais complexidade à discussão sobre a cidade.
A seguir apresento algumas fotos, que valem mais do que as palavras para a descrição das situações que citamos acima.
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Estuário do Rio São Raimundo, que recebe as águas do Igarapé do Mindu. No período das chuvas a água atinge as casas, justificando as palafitas.
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Estuário do Rio São Raimundo, onde um chiqueiro fica nos fundos da agência de saúde
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Fechando um ciclo que iniciamos lavando as mãos no M´Boi Mirim, na Região Metropolitana de São Paulo, o André aponta para a mesma situação de qualidade da água, encontrada em Manaus, no Igarapé do Mindu.
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No Parque Municipal do Mindu a população procura por recreação e contato com a natureza. Mas, o Igarapé do Mindu oferece esta paisagem.
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