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Educação para a vida plena - Projeto Vila Girassol Escola

Miguel von Behr é fellow turma 3, formado em arquitetura e funcionário do Ibama desde 1982. Atuou na criação e implantação de unidades de conservação, planejamento urbano e meio ambiente, reservas extrativistas, populações tradicionais, corredores ecológicos e foi coordenador de uma expedição científica ao Jalapão. Autor do selo editorial : Série Ecossistemas Brasileiros natureza - história - cultura, apoiado pelo MMA, Ibama e Instituto Chico Mendes. Atualmente está desenvolvendo o projeto Vila Girasol Escola, em Alto Paraíso de Goiás.




1. Quais as atividades centrais que você desenvolve na ICMBio?

Vale a pena destacar que o ICMBio-Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, criado em 2007 a partir da divisão do Ibama, é o órgão responsável pela criação e implantação das unidades de conservação federais. Atuo como analista ambiental do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, responsável pela comunicação social, elaboração do guia ecológico do parque, apoio na área burocrática, de visitação pública, apoio no trabalho de combate às queimadas e implantação de algumas ações do Plano de Manejo. Além disso, represento o Parque em reuniões locais como no Conselho Municipal de Meio Ambiente de Alto Paraíso de Goiás. Uma das principais iniciativas que coordeno atualmente é do programa de resíduos sólidos do entorno do parque. Trata-se do Programa Paraiso Limpo, que tem como objetivo contribuir para melhorar o gerenciamento dos resíduos sólidos das comunidades da área de influência do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, resultando na preservação do entorno do parque, em especial a cidade turística de Alto Paraíso de Goiás, onde vivo e o Povoado de São Jorge, localizado na entrada do Parque. O Programa é uma iniciativa da Ong Oca Brasil, que está sendo elaborado em parceira com a Prefeitura, ICMBio e Universidade Federal de Goiás. Estamos na fase final no diagnóstico participativo, quando foram envolvidos os alunos (lixo domiciliar) e os comerciantes (lixo comercial). Fizemos um documentário sobre lixo em que a própria comunidade foi a narradora do filme e que está sendo usado no trabalho de educação ambiental. A idéia é termos um Programa com base participativa, técnica e político-institucional, para que possa ser efetivamente implementado. Não existe coleta seletiva na cidade e o antigo aterro sanitário se transformou em um lixão, localizado ilegalmente em área de preservação permanente, próximo à nascente do principal rio do município, ao lado do aeroporto e da divisa do parque nacional.

2. Fale um pouco sobre os momentos mais marcantes na sua vida profissional?

Fui contratado pela ex-Secretaria Especial do Meio Ambiente do governo federal (atual Ministério do Meio Ambiente) em 1982 para implantar a Estação Ecológica de Guaraqueçaba, no litoral norte do Paraná, onde atuei até 1991. Depois fui chamado em Brasília para colaborar na implantação do Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais-CNPT, do Ibama (atualmente no ICMBio), onde fui coordenador em 1993, responsável pela criação e implantação das Reservas Extrativistas e apoio aos seringueiros, mulheres quebradeiras de coco babaçu, pescadores artesanais, extrativistas de flores do cerrado, etc. Nessa oportunidade pude verificar a importância que essas populações, com suas tecnologias, contribuem para proteger a rica biodiversidade brasileira. Outro momento marcante foi o lançamento dos meus livros de fotografia da Série Ecossistemas Brasileiros, em praça pública na cidade de Quixadá (Ceará) e na região do Jalapão (Tocantins), contribuindo para elevar a auto estima da comunidade e levando cultura para o interior do Brasil. Também foi marcante o título de Cidadão Altoparaiesense que recebi ano passado, por ter publicado um livro sobre a cidade e ter coordenado o Plano Diretor Ambiental e Urbano do Município.

3. Qual o principal projeto que você está envolvido no momento? Conte um pouco sobre ele?


A criação da Vila Girassol Escola e Espaço Cultural e do Instituto Semeando Saberes. A Vila Girassol Escola e Espaço Cultural - Semeando Saberes foi fundada em março de 2009 por um grupo de pessoas decididas a levantar a bandeira pela qualidade da educação em Alto Paraíso de Goiás, dispostas a continuar a viver em uma pequena cidade, longe dos congestionamentos, violência, enfim, com uma melhor qualidade de vida. A missão da Vila Girassol é promover a educação para a vida plena, através da vivência dos valores educacionais transdisciplinares proporcionando a construção do conhecimento como ferramenta para compreender o mundo e agir positivamente sobre ele. Entendemos aqui educação para vida plena aquela em que são trabalhados os valores, direitos e deveres humanos, a responsabilidade de amar, servir a humanidade, e a responsabilidade com a continuidade da vida no Planeta Terra.

4. Quais os principais dificuldades de implementação do projeto Escola Vila Girassol?


As principais dificuldades referem-se à insuficiência de recursos humanos como profissionais habilitados a atuar de forma transdisciplinar, e recursos financeiros para custear equipamentos e as instalações físicas adequadas aos laboratórios e projetos previstos no currículo transdisciplinar(artes, música, marcenaria, fauna, plantas medicinais(farmácia viva), culinária, etc.).

5. Quais os principais desafios enfrentados pelo projeto no momento?

Mostrar que educação é um investimento que deve ser valorizado e priorizado pelas famílias. Queremos construir um espaço definitivo, projetado e adequado à metodologia transdisciplinar, com arquitetura sustentável, energia renovável, tecnologias limpas, para que o aluno interaja com valores de uma sociedade sustentável. Também temos o desafio de atender até 2020, educação infantil, fundamental e médio, permitindo que essa experiência se multiplique nos municípios do entorno do Parque Nacional da chapada dos Veadeiros e que possamos atingir um número maior de pessoas.

6. Qual a importância da sua formação no Lead para o seu trabalho atual?

Através de treinamentos e vivências, o Lead possibilitou conhecer e trocar experiência com os mais diversos profissionais de diferentes áreas do saber, entender um pouco mais sobre as diferentes realidades sociais e culturais. Também foi importante para reforçar a importância de oferecer as mesmas condições em processos de negociação, para todos os segmentos da sociedade e como atuar no sentido de contribuir para resolver os problemas locais, com a visão de desenvolvimento sustentável, respeitando a diversidade sócio-cultural local e o meio ambiente.

7. Quais os principais desafios na transição para uma sociedade mais sustentável?

Um dos desafios é conseguir somar forças baseada no respeito pela natureza e pela cultura. Nessa transição para uma sociedade mais sustentável, é fundamental que nós tenhamos mais responsabilidade com as relações humanas com as atuais e também futuras gerações. Outro desafio é fazer com que as pessoas tenham atitudes significativas de comportamento, como a consumo consciente, até a implementação de amplas políticas públicas. Pensar como o ser humano se apropria da natureza e se relaciona entre si para desenvolver suas atividades, os impactos que provoca e suas conseqüências na qualidade de vida da sociedade.

28 de Outubro, 2009
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