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Liderança política é crucial na criação de sociedades com baixas emissões de carbono

Liderança política é crucial na criação de sociedades com baixas emissões de carbono

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Modelos e previsões de cenários criados por pesquisadores britânicos e japoneses mostram que é possível promover uma transição para sociedades com baixas emissões de carbono em todo o mundo, algo essencial se o objetivo global for estabilizar a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera a um nível seguro.

“Custará menos ir em direção a uma sociedade com baixas emissões do que postergar os esforços de mitigação das mudanças climáticas e experimentar os impactos mais extremos do clima”, afirma o pesquisador Neil Strachan, do King's College de Londres, Reino Unido, em entrevista exclusiva para a CarbonoBrasil.

Strachan é líder de uma das nove equipes formadas no Japão e no Reino Unido para desenvolver modelos de um caminho em direção ao que eles chamam de sociedade com baixas emissões de carbono (Low Carbon Society - LCS). As descobertas foram publicadas em um volume especial da edição deste mês da revista científica “Climate Policy” .

As LCS, segundo os pesquisadores, são aquelas comprometidas com reduções profundas de CO2 e outros gases do efeito estufa (GEE) a longo prazo, ao mesmo tempo em que atendam a demanda energética de maneira satisfatória, através da combinação de inovações tecnológicas e sociais.

“Para passarmos de cenários para modelos, precisamos quantificar cenários socio-econômicos futuros, identificar medidas potenciais para atingir uma LCS e verificar combinações que facilitem sua realização”, explica Strachan.

O pesquisador comenta que a colaboração internacional entre Japão e Reino Unido, com forte participação dos países em desenvolvimento, foi um elemento chave nos estudos, pois multiplicou a gama de comparações de cenários futuros.

Os cenários LCS são tecnologicamente possíveis, segundo Strachan, dado o progresso em medidas de baixas emissões e mudanças de comportamento que são esperadas. “No entanto, elas exigem o estabelecimento claro e antecedente de metas em cada tipo de uso energético e atividade econômica”, alerta.

Por isso, Strachan destaca que a liderança política será essencial na criação de ambientes favoráveis para que indivíduos e empresas se beneficiem com as oportunidades oferecidas pelos novos mercados, tecnologias, produtos e serviços de baixas emissões.

“As escolhas do consumidor e a ação individual, no contexto de políticas claras que ofereçam opções de baixas emissões e de modos de vida, pode ser uma ferramenta poderosa para alcançar o nível de mudança comportamental exigida para permitir a transição para uma sociedade com baixas emissões”, diz.

Entre as ações políticas necessárias, Strachan cita o estabelecimento de uma meta de redução de emissões de GEE globais de, pelo menos, 50% em relação aos níveis de 1990, em 2050; o aumento na carga de impostos de atividades que poluem o meio ambiente; a aceleração no emprego de tecnologias e produtos que permitam o desenvolvimento sustentável em paralelo a redução de emissões de CO2 e melhorias na eficiência energética.

Na opinião de Strachan, os governos também precisam enviar sinais de longo prazo para fortalecer o preço do carbono. “Taxação e melhorias no comércio de emissões internacionais devem ser estabelecidas para criar incentivos apropriados aos negócios”, afirma.

Nações em desenvolvimento

Para o cientista britânico, os países em desenvolvimento terão que encarar um imenso desafio para estabelecerem as LCS, uma vez que passam por um momento de forte crescimento econômico e uso intenso de energia.

Os pesquisadores Jim Skea, do Centro de Pesquisas em Energia do Reino Unido, e Shuzo Nishioka, do Instituto Nacional para Estudos Ambientais do Japão, dizem que será mais eficiente para estes países se concentrarem nos benefícios do desenvolvimento sustentável aliado a busca pelas sociedades de baixas emissões.
“Começando pelos objetivos de desenvolvimento, os países poderiam planejar a implementação de medidas e políticas que considerassem as necessidades de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, afirmam em um dos artigos que trazem os resultados das pesquisas.

Os cientistas explicam que cada país traçará o melhor caminho com base na distribuição de recursos locais. No Brasil, por exemplo, eles citam medidas relacionadas à mudança no uso da terra e da energia. “O maior desafio é limitar o desmatamento, que traz conseqüências que vão muito além do domínio puramente econômico”, comentam.

Melhorias de governança podem aumentar o poder de leis já existentes e regulamentações para evitar o desmatamento ilegal na região da Amazônia e, assim, reduzir as emissões. A médio e longo prazo, no entanto, os pesquisadores dizem que as emissões de CO2 vindas de combustíveis fósseis serão o fator mais importante para o país.

“As principais oportunidade para alinhar objetivos de desenvolvimento sustentável com mudanças climáticas no Brasil incluem a eficiência energética na indústria e nos transportes; o maior uso do gás natural nos setores industriais, residenciais e comerciais; maior exploração do potencial hidroelétrico; a produção do etanol da cana de açúcar para veículos; a mistura do biodiesel com o óleo de diesel em ônibus e caminhões e a geração de energia renovável para promover um grande acesso à eletricidade para as populações rurais”, explicam os pesquisadores.

(Envolverde/Carbono Brasil)

03 de Setembro, 2008
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